8 de mar de 2011

Post de estreia!





Este é o primeiro post do meu blog e quero começar falando de um dos estilos de jornalismo do qual sou apaixonada e indicar uma obra que é uma das minhas favoritas : Abusado - O dono do Morro Dona Marta, do Jornalista Caco Barcellos - Editora Record, 2003.


Para quem nunca ouviu falar, o jornalismo literário é um estilo que une o texto jornalístico à literatura, com o objetivo de produzir reportagens mais profundas, amplas e detalhistas, com uma postura ética e humanizada. Este ramo do jornalismo foge do noticiário superficial, revela um universo que geralmente fica oculto nas entrelinhas das matérias cotidianas e apresenta um ponto de vista pessoal e autoral sobre a realidade.


A obra Abusado é um dos grandes exemplos deste tipo de literatura no Brasil.
Começando a leitura, podemos perceber que já na metade estamos torcendo pelo bandido.Já que o autor em grande parte da trama , mesmo que de maneira não intencional, ameniza as atitudes do personagem e o transforma de algoz, até mesmo num heroí.

Juliano VP (codinome utilizado pelo autor para esconder a identidade do personagem central do livro) é um traficante, que comanda todo o esquema das drogas no Morro Dona Marta - Rio de janeiro, além de ser um dos cabeças do Comando Vermelho na cidade.
E faz jus ao nome da obra: ABUSADO.

Como todo traficante entra cedo na vida do crime e aprende a viver conforme as regras do jogo.Caco Barcellos de maneira genial, descreve sua infância no morro,seu interesse por artes, sociologia e filosofia. Nos apresenta um personagem, cativante, inteligente que em alguns momentos nos surpreende com atos de amizade, consciência social e apego a religião. Características tão incomuns em alguém que vive sempre "no lado certo, da vida errada".

Ainda que o objetivo do autor não seja condenar nem defender o crime organizado, o leitor se sente convidado a "subir" ao morro, e enxergar as pessoas que lá vivem muito além de números e estatísticas.Atos de violência com requintes de crueldade são descritos em detalhes, mas, como são frequentes durante a narrativa não causam mais a mesma indignação das primeiras páginas...

Você não pensa mais em puni- los, e sim, em ajuda-los... e talvez este tenha sido realmente o sentimento de quem conviveu com Juliano e talvez do próprio autor, embora saibamos o quanto a profissão de jornalista, nos cobra o distanciamento.
O  mais correto é afirmar que este livro tem como objetivo principal apenas contar a história de uma geração de traficantes.Contar como é a vida do favelado, do criminoso, das famílias que vivem no morro... 

Nos afrontar com pobreza, a falta de esperança no futuro, a  violência do tráfico e da policia. Histórias de trabalhadores, donas de casa  de conformismo e escolhas...
O livro afinal é uma janela em que podemos ver o que de fato não podemos ou não queremos de nossas lindas casas nos bairros de classe média. Um mundo que se desenvolve a seu modo,de maneira precária, marginal e sem nenhum apoio do Estado. Uma reflexão sobre indivíduos, a sociedade, política e ética.
Quem são na realidade as verdadeiras vitimas do narcotráfico? 

Em breve mais resenhas!!!!












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